EUA votam sob temor de contestação de Trump nesta terça-feira (3)
Os norte-americanos vão às urnas na terça-feira, 3, em milhares de eleições locais, estaduais e para renovar a Câmara dos Deputados e pouco mais de um terço do Senado. Por todos os quatro cantos do país, no entanto, o maior temor é de que o presidente e a ala mais radical de seu governo repitam o ritual de rejeitar o resultado final, em caso de derrota.
O Estado da Geórgia está em alerta. A derrota de Trump por apenas 11 mil votos nas eleições presidenciais de 2020 ganhou contornos dramáticos após o presidente intimidar funcionários do Estado para reverter o resultado. Até hoje ele segue questionando a eleição.
Nos EUA, as eleições são geridas pelos Estados, por meio da figura do secretário de Estado. Talvez o mais famoso deles seja o republicano Brad Raffensperger. Foi para ele que Trump ligou, em 2020, para pedir os 11,8 mil votos que o colocavam à frente do democrata Joe Biden na Geórgia.
Raffensperger negou e se transformou em uma espécie de pária no Partido Republicano. Ele foi chamado de “Judas” e sofreu ameaças de morte. Em entrevista ao Estadão, ele destacou a lisura do processo eleitoral no Estado e chamou os aliados mais radicais do presidente de “desinformados”. “Adotamos medidas rigorosas, como a exigência de documento de identificação com foto, verificação de cidadania e o uso de cédulas em papel. Nossa eleição é a mais segura dos EUA”, (mais informações na página ao lado).
Os democratas temem que Trump utilize seus velhos argumentos sobre o processo eleitoral para contestar os resultados das eleições da terça. O presidente tem níveis baixos de popularidade, em meio a uma crise de custo de vida e o aumento dos preços da gasolina. O Partido Republicano deve perder o controle da Câmara dos Deputados e está em uma batalha sem favoritismo claro para manter a maioria no Senado.
“De todos os Estados-chave que ele perdeu em 2020, a Geórgia é o que mais incomoda Trump”, disse Charles Bullock, professor de ciências políticas da Universidade da Geórgia. “Ele pode tentar alguma coisa, mas as autoridades da Geórgia estão prontas para responder aos questionamentos.”





