MPF intima a Caixa a explicar destino de poupanças de escravizados
Pela primeira vez, um banco brasileiro foi intimado a prestar esclarecimentos sobre o destino de poupanças abertas por pessoas escravizadas no século XIX.
A determinação é do Ministério Público Federal (MPF), que deu prazo até 15 de setembro de 2025 para que a Caixa Econômica Federal informe quais medidas adota para organizar, catalogar e digitalizar seu acervo histórico sobre o tema.
A medida foi motivada por representação do movimento Quilombo Raça e Classe, que levou o caso ao MPF.
Em reunião realizada em 15 de agosto, representantes da Caixa, do movimento social e a historiadora Keila Grinberg (UNIRIO/Universidade de Pittsburgh) discutiram a retenção dos valores após a Abolição e a responsabilidade do Estado e das instituições financeiras na perpetuação do sistema escravista.
Segundo o procurador da República Julio José Araújo Junior, responsável pelo inquérito, a investigação busca esclarecer não apenas o destino dos recursos, mas também preservar a memória histórica do processo.