Pacientes do Norte viajam até 6 vezes mais que os do Sul para tratar câncer

Receber um diagnóstico de câncer deveria acionar uma corrida contra o tempo. Para muitos brasileiros, porém, o primeiro obstáculo não é o tumor —é chegar até o tratamento.
A trajetória individual expõe um padrão nacional: no Brasil, o acesso à radioterapia —um dos principais pilares do tratamento oncológico— ainda varia de acordo com o lugar onde o paciente vive.
Dados de um estudo nacional publicado em 2026 na revista científica International Journal of Radiation Oncology, Biology, Physics, que analisou mais de 840 mil procedimentos do Sistema Único de Saúde (SUS), mostram que mais de seis em cada dez pacientes precisaram sair do próprio município para fazer radioterapia.
A distância média no país é de 120 quilômetros. Mas essa média esconde um contraste profundo:
• 442 km no Norte.
• 238,9 km no Centro-Oeste.
• 161,8 km no Nordeste.
• Cerca de 70 km no Sul e Sudeste.
Na prática, isso significa que um paciente do Norte percorre até seis vezes mais do que alguém do Sul para acessar o mesmo tipo de tratamento.
