Saúde

Vacina contra herpes-zóster pode reduzir risco de demência em até 20%, mostra estudo

Um desenho estatístico improvável — criado sem intenção, a partir de uma regra administrativa do Reino Unido — acaba de oferecer uma das evidências mais fortes até hoje sobre a ligação entre infecções virais e declínio cognitivo.

Um estudo publicado na Nature analisou a implementação da vacina contra herpes-zóster no País de Gales e encontrou um resultado que chamou a atenção da comunidade científica: quem recebeu a imunização teve cerca de 20% menos risco de desenvolver demência ao longo de sete anos.

O achado surgiu porque o sistema britânico definiu que apenas pessoas nascidas a partir de 2 de setembro de 1933 teriam direito à vacina, criando uma divisão quase aleatória. Isso permitiu comparar indivíduos praticamente idênticos — com uma diferença de apenas uma semana de nascimento — em relação a um fator-chave: a probabilidade de ter sido vacinado.

Depois de ajustar análises e repetir modelos, os autores observaram que a proteção contra demência não se explicava por maior acesso ao sistema de saúde, por diferenças socioeconômicas ou por outros comportamentos de prevenção.

O efeito se manteve mesmo quando os pesquisadores ampliaram ou estreitaram janelas de análise, e não apareceu para outras doenças crônicas, reforçando a consistência estatística do resultado.

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