Violência

Ressentimento masculino e misoginia alimentam alta de feminicídios em Pernambuco

Em Pernambuco, o número de feminicídios cresceu em 15% no ano de 2025, segundo levantamento da Gerência Geral de Análise Criminal e Estatística da Secretaria de Defesa Social. Foram 88 mulheres mortas em crimes relacionados à sua condição de gênero, o maior quantitativo de vítimas dos últimos oito anos.

Em 2026, somente nos meses de janeiro e fevereiro, 18 mulheres foram vítimas de feminicídio, número também registrado no mesmo período de 2025.

Dados da SDS também apontam um cenário alarmante com relação aos casos de violência doméstica: o estado teve média diária de 137 registros nos dois primeiros meses de 2026.

A socióloga Liana Lewis, professora do departamento de Sociologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), avalia que o feminicídio é resultado do comportamento de homens que não aceitam as mulheres questionando o lugar imposto a elas na sociedade.

O ódio contra as mulheres tem nome: misoginia. O termo não é sinônimo de machismo, que é a forma como a sociedade foi estruturada para priorizar homens. A misoginia é uma derivação, muito mais perigosa e letal, do machismo.

Na terça-feria (24), o Senado aprovou projeto de lei que equipara a misoginia ao racismo e prevê penas maiores para crimes de ódio contra mulheres. O projeto, que muda a Lei do Racismo e inclui a misoginia entre os crimes de discriminação ou preconceito, segue para análise da Câmara dos Deputados.

O combate à misoginia e, consequentemente, ao feminicídio, exige um esforço coletivo, com participação da sociedade e do governo. Para a socióloga, uma das saídas é a educação dos homens, que deve começar desde cedo.

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