Mais de 20% das crianças com microcefalia associada ao zika vírus desenvolveram má-formação depois de nascer, diz pesquisa

Dez anos após a epidemia de zika vírus que causou uma explosão de casos de microcefalia, cientistas da Universidade de Pernambuco (UPE), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) lançaram uma pesquisa sobre o perfil das crianças que desenvolveram a má-formação após o surto da doença.
Os pesquisadores acompanharam 843 meninos e meninas nascidos entre 2015 e 2018 em nove cidades das regiões Norte, Nordeste e Sudeste, sendo a maioria de Pernambuco e da Bahia. Segundo o levantamento, 20,4% delas (172) desenvolveram a anomalia depois do nascimento, à medida que cresceram.
Além disso, 384 das crianças monitoradas (63,9%) têm microcefalia em grau severo e precisam de cuidados multidisciplinares. Esse é o maior estudo já realizado sobre o assunto, de acordo com a UPE.
Os resultados da pesquisa foram reunidos num artigo publicado no dia 29 de dezembro na revista científica PLOS Global Public Health, sediada na Califórnia (EUA). Das 843 crianças avaliadas, 601 foram diagnosticadas com microcefalia ao nascer. Dessas, 217 têm a condição em grau moderado.



